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25.09.08

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Ela merece um post só dela!
Tudo começa da seguinte forma: Eu morro de medo de avião. Eu sei que é seguro, é tranqüilo, mas eu tenho medo de avião, oras, todo mundo tem medo de alguma coisa.
Como não dá para a Buenos Aires de Uno Mille, e querer chegar rápido, fui procurar a companhia que confio, no caso a Varig, mas haviam esgotado-se as passagens.
- Bem, é estratégia de marketing, eles vendem um lote a um preço X depois, eles colocam outro lote a preços Y. - comentei.
Passou-se 15 dias, e outro lote não foi colocado a venda. É, as passagens acabaram. E agora!?
Só me restou a opção das Aerolíneas Argentinas. Então peguei meu Uno e fui na agência.
- Querida, se eu fosse você não ia de j-e-i-t-o nenhum pelas aerolíneas…estão falindo. - fala a tal da agente de turismo
- Mas…
- Não, não vai, queeeerida ouça que estou te falando.
É ai que as coisas começam a dar errado…
Resolvi comprar no submarino: de manhã estava em 10 vezes sem juros pelo cartão submarino, constavam apenas 2 lugares. Resolvi comprar a tarde, apenas em 5 vezes, com entrada.
A tarde aconteceu a fatalidade na Espanha. Mamãe ligou dizendo que era melhor não ir, que seria bobagem, ela não estava com bom pressentimento. Papai concordou. O noivo achou que seria muito dinheiro. E o povo da faculdade retificou que era perigoso ir pelas Aerolíneas, estava falindo. Ai, meus queridos, é que eu comecei a ter medo.
Meu coração falava: “Não vai, vai acontecer alguma coisa” e o bolso berrava: “AGORA VAI! Se não pode cancelar nem adiar a passagem, senão ela dobra de valor”. No dia seguinte da compra das passagens, a Varig liberou o tal lote Y que eu havia suposto,com preço melhor naqueles dias, e as Aerolíneas voltaram a terem suas passagens divididas em 10x sem juros no cartão.
O melhor ainda estava por vir: Meu chefe!
- É…minha filha voou pelas Aerolíneas em Julho. - diz ele solicito
- hm? - Querendo saber se a menina havia voltado.
- 14 horas de atrasos, sabe como é tá …
- Tá falindo essa porr…caria, eu já sei!
- Se atrasar, vou ter que descontar do seu salário.
- ¬¬
A “merda” estava feita, passagens na mão, mamãe chorando pelos cantos, eu chorando e o um mês que me separava da saga passou voando, rezei, implorei para Deus deixar-me viver. Três dias antes de eu embarcar fui procurar meus amigos:
- Livão, eu te amo tá?! Você me desculpa por tudo? - falando pela milésima vez.
- ??
- É, eu acho que não volto.
- Se você voltar eu juro que te mato.
E é claro do meu digníssimo Sr. futuro marido
- Môôôôô, se eu morrer você vai casar com outra? - fiz a pergunta esparando que ele demorasse a responder.
- Não.
- Môôôôôôô - fiquei feliz, não sei porquê…egoísta! - não precisa, você pode se casar com outra, só dá um tempinho.
- Hmmmmmm…! - murmurou. Senti minha felicidade esvaíndo de pouquinho.
Eu tinha a certeza que ia morrer. Chegou o dia. Me despedi dos meus pais como se fosse a última vez que olharia para eles. Arrumei meu quarto.
No aeroporto vi os jumbos imponetes e enormes(Delta Airlines, Air France, TAP) e no último posto estava lá uma miniatura de avião velho, que era o meu. Parecia um fusca 1969 ao lado de Fusions 2008.
Enfim subi no avião sozinha, dei adeus ao Rio.
Um melodrama digno de novela mexicana de horário nobre.
Três horas depois, desembarquei em Buenos Aires em um dia ensolarado, numa temperatura de 13°, viagem tranquila, serviço de bordo show e avião vazio.
Sobrevivi…